:: DA ALEGRIA AO LUTO

Na sexta-feira, 13, à abertura dos Jogos Pan-Americanos trouxe a chama da certeza que viveríamos dias felizes, de glória, de afirmação da nossa auto-estima. A superstição da sexta-feira, 13 tinha caído por terra. Tudo corria bem! A primeira medalha, o primeiro ouro, o Brasil vencendo a Argentina, o voley masculino batendo a Rússia, nada parecia poder atrapalhar o estado de êxtase que vivíamos.

 

Quase nada na verdade! Um velho problema, que vinha se arrastando há meses, ressurge na tragédia, como uma fênix. O Brasil que antes tinha seus olhos voltados para o Rio, se volta agora atônito para São Paulo. O céu cinza da cidade que não para, foi colorido pelo fogo. Confesso que não me importa, no momento quem é o culpado. Eu quero saber quem vai assumir a responsabilidade de resolver o problema!

 

Sobre a maior floresta tropical do mundo, vimos um desastre aéreo estarrecedor. Mas foi lá no norte do Brasil, longe das câmeras nervosas das TV´s, e não bastou para se tomar as providências. Agora o cenário é São Paulo, debaixo dos olhos de todos, na frente das mesmas TV´s, num dos maiores aeroportos da América Latina, novamente nos estarrecemos.

 

A alegria que nós tomava por completo, perde espaço para luto, o sentimento de incredulidade. Nos vemos em cada mãe, em cada filho, em cada marido, em cada esposa, em cada irmão, em cada amigo, em cada rosto, a dor da perda do ente querido.

 

Hoje, somos nós que estamos em um “vôo cego”. Até quando seremos reféns do medo?

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